Entendendo o Demonstrativo de Apuração (Lei 14.754)

Se você opera cripto em corretora estrangeira, esses ativos entram em um regime próprio: o de aplicações financeiras no exterior, criado pela Lei 14.754/2023. O Demonstrativo de Apuração é o relatório que o IR do Investidor monta para mostrar, ativo por ativo, como chegou ao imposto desse regime — reproduzindo a lógica que vai para a sua declaração.

Por que existe um demonstrativo separado

Cripto no exterior não segue o regime de ganho de capital nacional. Em vez de apuração mensal com DARF e isenção de R$35 mil, ele tem regras próprias:

Como a lógica é diferente, a plataforma dedica um demonstrativo só para isso — para você (e seu contador) entenderem a conta.

Onde fica

O Demonstrativo aparece na área de Impostos, na aba Apuração Exterior, e os valores consolidados também alimentam o Informe Anual (Bens e Direitos / Rendimentos do exterior). Selecione o ano-base desejado para ver o demonstrativo daquele período.

Como ler o demonstrativo

O relatório lista cada ativo no exterior com o resultado do ano. Para cada item você verá, em essência:

A fórmula que a plataforma aplica é direta:

Ou seja: o demonstrativo não tributa ativo por ativo isoladamente. Ele junta tudo do exterior, compensa perdas com ganhos no ano e aplica 15% só sobre o resultado líquido positivo.

O que NÃO entra aqui

Para não confundir os dois mundos:

Um ponto honesto sobre as alíquotas

O regime do exterior é de alíquota única de 15% — sem a tabela progressiva (17,5% a 22,5%) que existe no regime nacional para ganhos muito altos. O motor da plataforma aplica esse 15% fixo no exterior, em linha com a lei.

Conferindo o demonstrativo

Os números do demonstrativo vêm do histórico que você importou das corretoras estrangeiras. Se algum ativo parece com resultado estranho, normalmente é histórico incompleto: cheque a importação (API + CSV) e a reconciliação daquela exchange antes de tratar o demonstrativo como final.

Resumo

O Demonstrativo de Apuração (Lei 14.754) mostra, ativo por ativo, o resultado das suas aplicações financeiras no exterior — soma tudo, compensa prejuízos com ganhos do ano e aplica 15% sobre o líquido positivo (ou zera com carryforward em ano de prejuízo). É anual, sem DARF mensal e sem isenção de R$35 mil — separado do regime nacional.


Este conteúdo é educativo e não substitui a orientação de um contador. A compensação de perdas e o carregamento entre anos têm requisitos próprios — valide com um profissional.