Minha exchange fechou / não tem mais API: como recupero o histórico
Exchange que fechou as portas, encerrou a operação no Brasil ou simplesmente derrubou a API é um problema real — e mais comum do que parece. A boa notícia: na maioria dos casos dá para reconstruir o histórico mesmo sem acesso à corretora. A má notícia, dita com honestidade: não existe um botão mágico de recuperação; o caminho é manual, a partir do que você consegue comprovar.
Primeiro: o que você ainda tem em mãos?
Antes de tudo, levante todas as fontes de dados que sobraram:
- Extratos CSV/XLSX que você baixou enquanto a exchange funcionava;
- E-mails de confirmação de ordens, depósitos e saques;
- Comprovantes de transferência (Pix, TED, ou cripto enviada/recebida on-chain);
- Prints/relatórios de saldo e operações;
- Histórico on-chain, se você depositou/sacou cripto de carteiras (a blockchain é pública e permanente).
Quanto mais dessas peças você reunir, mais completo fica o histórico reconstruído.
Caminho 1 — Importar o CSV que você salvou
Se você baixou o extrato de operações antes de a exchange fechar, esse é o caminho mais direto: suba o CSV no IR do Investidor, que entende vários formatos de extrato. Confira o saldo e complete o que faltar com as outras fontes.
Lição que fica para o futuro: exporte e guarde o CSV periodicamente de todas as suas corretoras. É a sua apólice de seguro contra exchange que some.
Caminho 2 — Reconstruir pela blockchain (quando houve cripto on-chain)
Se você depositou ou sacou cripto dessa exchange usando carteiras on-chain, parte do rastro está na própria blockchain — e isso não some quando a corretora fecha. Você pode:
- informar seus endereços on-chain no IR do Investidor para leitura direta (via provedores como Alchemy e Etherscan);
- usar os hashes de transação dos depósitos/saques como comprovação de entradas e saídas.
Isso ajuda especialmente a fechar saldos de entrada e saída, mesmo que os trades internos da exchange precisem ser reconstruídos à parte.
Caminho 3 — Lançar manualmente o que faltar
O que não der para importar por CSV nem ler on-chain pode ser lançado manualmente a partir dos seus comprovantes (e-mails de ordem, prints, extratos bancários). Aqui a regra é: registre cada operação com data, ativo, tipo, quantidade, preço e valor, sempre apoiado em algum documento.
Caminho 4 — Reconciliar e fechar as pontas
Depois de juntar tudo, use a etapa de reconciliação da plataforma para identificar o que ainda não fecha — por exemplo, um saldo que aparece sem histórico de origem, ou uma saída sem o trade correspondente. A reconciliação ajuda a apontar exatamente onde estão os buracos para você completá-los.
Sendo honesto sobre os limites
- Se você não tem nenhum registro (não baixou CSV, não houve movimentação on-chain, não guardou comprovantes), a recuperação fica muito difícil — o IR do Investidor organiza os dados que você fornece, mas não tem como acessar uma exchange que já não existe.
- O melhor que se faz, nesses casos, é reconstruir com as melhores estimativas documentadas e tratar lacunas com bom senso e apoio do seu contador, mantendo tudo o que comprovar a origem dos valores.
Como o suporte pode ajudar
Se você tem material espalhado e não sabe por onde começar, fale com o suporte: descreva quais fontes você tem (CSV, on-chain, comprovantes) e a gente orienta o melhor caminho de importação e reconciliação para o seu caso.
Resumo
Exchange fechada se resolve com CSV salvo + rastro on-chain + comprovantes + lançamento manual + reconciliação. Não há recuperação automática de uma corretora extinta; o que dá para fazer é reconstruir o histórico com o que você consegue comprovar — e, daqui para frente, guardar extratos com regularidade.
Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui a orientação de um contador. Lacunas de histórico têm impacto fiscal; trate cada caso com documentação e apoio profissional.