O que é custo médio de aquisição e por que ele importa no IR?
O custo de aquisição é quanto você efetivamente pagou para ter um criptoativo — e ele é a peça central do cálculo de imposto. Sem o custo certo, todo o resto da apuração sai errado: o ganho de capital é, por definição, o valor de venda menos o custo de aquisição. Quanto mais preciso o custo, mais correto o imposto.
Por que "médio"?
Quase ninguém compra cripto de uma vez só, no mesmo preço. Você vai acumulando posição em várias compras, a preços diferentes. Quando vende uma parte, qual preço de compra usar?
A resposta da legislação é o custo médio ponderado (PMP): a cada nova aquisição, recalcula-se a média do custo por unidade, ponderada pela quantidade. Quando você vende, usa-se esse custo médio como base — não o preço da "primeira" ou da "última" compra.
O IR do Investidor adota o PMP global por ativo: o custo médio de cada moeda é consolidado considerando toda a sua carteira, e não isolado por exchange. Assim, BTC comprado na corretora A e BTC comprado na corretora B formam um único custo médio para aquele ativo.
Como o custo médio é calculado
A cada compra, o novo custo médio é:
Novo custo médio = (custo total atual + custo da nova compra) ÷ (quantidade total)
O custo de cada compra inclui o preço pago mais as taxas (corretagem, taxa de rede/gas). Veja um exemplo:
| Operação | Qtd | Preço unit. | Custo da operação | Posição | Custo médio |
|---|---|---|---|---|---|
| Compra 1 | 1,0 ETH | R$10.000 | R$10.000 | 1,0 ETH | R$10.000 |
| Compra 2 | 1,0 ETH | R$14.000 | R$14.000 | 2,0 ETH | R$12.000 |
| Venda | 0,5 ETH | — | usa R$12.000/un. | 1,5 ETH | R$12.000 |
Repare: a venda não altera o custo médio das unidades restantes; ela apenas consome quantidade ao custo médio vigente.
Por que isso importa tanto no IR
O custo médio aparece em dois lugares decisivos:
- No cálculo do ganho de capital. Ganho = valor de alienação − (quantidade vendida × custo médio). Um custo subestimado infla o ganho e faz você pagar imposto a mais; um custo superestimado reduz o ganho e gera risco de recolhimento a menor.
- Na ficha de Bens e Direitos da DIRPF. As posições em 31/12 são declaradas pelo custo de aquisição (não pelo valor de mercado). Um custo médio bem mantido é o que sustenta o valor que aparece na sua declaração.
Casos que afetam o custo
- Permuta cripto-cripto. Trocar um cripto por outro é alienação do que sai (fato gerador) e aquisição do que entra. O custo do ativo recebido passa a ser o valor de mercado em reais no momento da troca.
- Recompensas (staking, airdrop, mineração, DeFi). Cripto recebido como recompensa entra na carteira com custo R$0 (a tributação dessas entradas é tratada à parte). Isso significa que, ao vender, o ganho tende a ser maior, porque o custo daquela parcela é zero.
- Transferência entre carteiras próprias. Mover cripto entre suas próprias contas é neutro — não altera o custo médio nem gera ganho.
Como o IR do Investidor cuida disso
A plataforma calcula o PMP global por ativo automaticamente à medida que importa suas operações, considera as taxas no custo, trata permutas como alienação + aquisição e atribui custo R$0 a recompensas. O resultado alimenta tanto a apuração de ganho de capital quanto os valores da ficha de Bens e Direitos. Você pode conferir e, quando necessário, ajustar saldos divergentes na área de custo médio.
Aviso: este conteúdo é educativo e não substitui orientação individual. A aplicação a um caso concreto depende de valores, documentação de custo, jurisdição das corretoras e da situação patrimonial completa. Consulte sempre um contador antes de tomar decisões.