Onboarding de cliente: convite, permissões e coleta de dados
A parte mais trabalhosa de apurar cripto de um cliente não é o cálculo — é reunir os dados completos. Um onboarding bem feito resolve isso na largada: o cliente conecta as fontes certas, você define o nível de acesso e a base já chega limpa para apurar. Este artigo organiza esse fluxo para escritórios.
O fluxo geral
- Vincular o cliente ao escritório — pelo painel do contador, no plano Contador ou Enterprise.
- Definir quem coleta os dados — o cliente conecta suas próprias fontes, ou você opera a base dele.
- Conectar as fontes — exchanges (API ou CSV), Interactive Brokers (Flex), carteiras on-chain.
- Reconciliar e validar — conferir saldos antes de gerar relatórios.
A base de cada cliente é isolada por CPF, então não há risco de uma operação de um cliente cair na apuração de outro.
Coleta de dados: o que o cliente precisa fornecer
A apuração só é confiável com o histórico completo. Oriente o cliente a reunir:
- API keys read-only das exchanges com API (Binance, OKX, Bybit, Kraken etc.) — a plataforma integra 15+ exchanges.
- CSVs das corretoras sem API ou já encerradas (a plataforma lê 10 formatos de CSV).
- Interactive Brokers via Flex Query, se houver ETF de cripto ou ativos no exterior.
- Endereços de carteiras on-chain / hardware wallets para importar operações de auto-custódia.
- Saldo Inicial se o cliente já operava antes da data em que conectou as exchanges — sem isso, posições antigas aparecem zeradas.
Quanto mais cedo no relacionamento esses dados chegam, menos retrabalho na temporada de IR.
Permissões: o princípio do menor acesso
A regra de ouro de segurança é read-only:
- As API keys das exchanges devem ser somente leitura (sem permissão de saque ou negociação). A plataforma só precisa ler o histórico.
- Credenciais são criptografadas em repouso na plataforma.
- O IB Flex é, por natureza, acesso de leitura.
Oriente o cliente a nunca gerar uma chave com permissão de trade ou withdraw. Se uma chave vazar, read-only limita o dano à exposição de dados (já protegidos), nunca à movimentação de fundos.
Conferindo a base antes de apurar
Onboarding não termina na conexão — termina na base reconciliada:
- os saldos importados batem com os extratos das corretoras?
- há operações faltantes a completar via CSV?
- o Saldo Inicial foi ajustado para operações anteriores à conexão?
- há pendências de reconciliação abertas?
Só depois disso os relatórios (Informe IRPF, Demonstrativo Lei 14.754, DeCripto) refletem a realidade do cliente.
Checklist de onboarding por cliente
- Cliente vinculado ao escritório no painel
- Exchanges com API conectadas (chaves read-only)
- CSVs das corretoras sem API enviados
- IB Flex configurado (se houver exterior/ETF)
- Carteiras on-chain importadas (se houver auto-custódia)
- Saldo Inicial ajustado (operações pré-conexão)
- Saldos batem com extratos / reconciliação sem pendências
O que o produto faz e o que fica com você
A plataforma centraliza o acesso aos clientes, criptografa as credenciais e importa de múltiplas fontes. A coleta efetiva depende do cliente entregar os dados, e a decisão sobre o que falta (qual exchange esquecida, qual período sem histórico) é análise profissional. O onboarding é um trabalho colaborativo entre cliente, contador e plataforma.
Resumo
Um bom onboarding vincula o cliente ao escritório, conecta todas as fontes (exchanges via API/CSV, IB, carteiras on-chain), usa sempre API keys read-only, ajusta o Saldo Inicial e fecha com a base reconciliada. A plataforma centraliza e protege os dados; a coleta completa e a conferência seguem como trabalho conjunto.
Este conteúdo é educativo e não substitui a orientação profissional. A responsabilidade pela coleta e pela apuração dos dados de cada cliente é do contador e do contribuinte.